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Comparação Português e Castelhano

Carlos Carrion Torres

Dentre as línguas mais utilizadas no mundo poucas apresentam tantas similaridades entre si, tanta mútua inteligibilidade, quanto o Espanhol (Castelhano) e o Português. As duas, que estão entre as cinco com mais falantes nativos, são Línguas ibero-ocidentais junto com as pequenas línguas regionais como o Galego, o Catalão, o Asturiano, o Aragonês, o Mirandês, o Leonês.

Esses idiomas, caso fossem um único, formariam a língua que seria hoje a segunda mais falada no mundo, a mais falada dentre as Indo-Européias, as do Hemisfério Ocidental, do Hemisfério Sul, das Américas, das que usam o Alfabeto Latino. Há inclusive uma interlíngua informal, denominada “Portunhol”, uma livre mistura das duas línguas praticada nas áreas de contato na Península Ibérica e na América do Sul.

A origem comum e aproximidade geográfica são as causas dessa enorme similaridade que permite que se possam listar algumas dessemelhanças, realçadas e tornadas significativas justamente como um contraponto das similaridades.

Semelhanças

Primeiramente, vejamos algumas significativas características comuns às duas línguas que as distinguem de outros idiomas, algumas delas com diversidade mesmo em relação às demais línguas românicas:

Diferenças

Não se pretende apresentar aqui uma análise completa e exaustiva das diferenças entre as duas línguas, mas principalmente uma amostra de diferenças justamente em contraposição às semelhanças. Também não haverá comparações de vocabulário, dos aspectos léxicos. Os termos Espanhol (a) e Castelhano (a) serão usados alternativamente, sem uma regra fixa, visando apenas certo estilo para não evitar exaustão de palavras.

Cognatos

No caso de cognatos, palavras semelhantes e de mesmo significado nas duas línguas, percebe-se bem o fato de ambas as línguas derivarem da mesma família, a ibero-ocidental. Nota-se também a evolução do Espanhol para o Português via Galego.
Há casos como:

Vogais

Conforme os aspectos informados acima, em Espanhol poucas são as palavras com ditongos decrescentes.

Notas: a derivação ión / on para ão vale também para palavras com essas desinências, ainda que não sejam aumentativos. Em português de Portugal, usam-se mais extensivamente do que no Brasil os diminutivos em ito.

Consoantes

Escrita

Alfabeto

Ambos os idiomas usam variantes do alfabeto latino, havendo, porém, diferenças fonéticas e mesmo de grafia.

Interrogação e exclamação:

Somente em castelhano as sentenças interrogativas e exclamativas, além de terem o respectivo ponto de interrogação ou ponto de exclamação no final das mesmas, também apresentam, no início dessas sentenças, a mesma respectiva pontuação, porém invertida. Isso já prepara o leitor para essas características, interrogação ou exclamação, das sentenças.

Hífen

De forma diferente do que acontece em português, em castelhano não é usado o hífen para separar uma forma verbal de um pronome oblíquo átono que a segue. Nesse caso, ocorre a justaposição desses dois elementos, formando uma só palavra. Exemplos:

Não são apresentados aqui exemplos partindo de uma colocação de hífen numa mesóclise em português, pois a mesóclise não existe em castelhano.

Frequência das letras

Fonologia

O inventário de fonemas do castelhano é menos rico do que o do português, talvez por isso seja mais difícil para os falantes de espanhol entender o português falado do que a situação inversa.

Vogais

A fonologia do português apresenta basicamente de doze a catorze vogais fonêmicas: ä, ɐ, ɐ̃, ɛ, e, ẽ, i, ɨ, ĩ, ɔ, o, õ, u, enquanto que no espanhol são apenas cinco vogais fonêmicas ä, e̞, i, o̞, u. Não há em espanhol vogais abertas como ɛ, ɔ (em português é, ó)

Consoantes

Existem sons consonantais no castelhano que não existem em português, porém, no total existem mais sons consoantes em português que não existem em espanhol.

Só em português

Só em espanhol

Acentuação gráfica

As vogais do castelhano usam somente o acento agudo (Geografía). O trema ainda é usado em espanhol, tendo desaparecido do português no Acordo Ortográfico de 1990 aplicado a partir de 2009. Em castelhano o apóstrofo é arcaico e pouco usado.

Percebem-se repetitivas diferenças de acentuação gráfica em diversas palavras que contem encontros vocálicos,nas quais a grafia a menos da acentuação) e pronúncia, em português e espanhol, são idênticas (São os casos de máfia (português) e mafia (castelhano); geografia (português) e geografía (castelhano).

Em ambas as línguas é usada obrigatoriamente a acentuação gráfica em palavras proparoxítonas, ao passo que as palavras paroxítonas não apresentam acento gráfico. As diferenças apresentadas acima, máfia / mafia e geografia / geografía se devem ao fato desses encontros vocálicos finais (ia nos casos citados) serem considerados de forma diferente no português e no castelhano

Em português tal encontro vocálico (ia) é um hiato. É, portanto, formado por duas sílabas, i e a. A palavra (ex. máfia), para ter ma como sílaba tônica, é proparoxítona, exigindo assim acentuação gráfica. No caso de geografia, havendo duas sílabas, i e a, a palavra é paroxítona e para ter essa pronúncia, não precisa de acento gráfico

Em castelhano o mesmo encontro vocálico ia é um ditongo crescente, uma única sílaba, o que torna a palavra mafia uma paroxítona que não exige acentuação gráfica para ter o ma como sílaba tônica. No caso de geografía, para identificar o hiato, é preciso acentuar graficamente a sílaba tônica para não ser confundido com ditongo.

Exemplos diversos, conforme tonicidade do encontro vocálico final:

Em Português não há palavras com acentuação gráfica em sílaba anterior à antepenúltima. Em Espanhol, porém há as chamadas palavras ‘’sobreesdrújulas’’ (sobre esdrúxulas) que apresentam acentuação antes da antepenúltima sílaba.

Gramática

Pronomes

Os sistemas de pronomes pessoais de ambos os idiomas se assemelham muito, diferindo, porém, nos seguintes aspectos.

Nota: gente em espanhol pode equivaler em português a gente (Hay mucha gente em la calle) ou a pessoas (La gente va para la fiesta).

Numerais

Há algumas diferenças mínimas

Formas verbais

A quantidade e as características (tempo, modo, formação, voz) de formas verbais do português e do castelhano são quase as mesmas, havendo algumas pequenas diferenças conforme segue:

Contrações

A presença de contrações das preposições a, de, em, por com os artigos definidos ou indefinidos e com os pronomes demonstrativos (isto, este (a, es, as), isso, esse (a, es, as), aquilo, aquele (a, es, as)), que seguem as preposições, é muito mais generalizada em português. Em castelhano existem somente as contrações a + el = al e de + el = del.

Outros

Dias da semana

Há uma notável diferença de vocabulário entre o Português e o Castelhano, a qual, a qual, aliás, diferencia o Português das demais línguas ocidentais está nos nomes dos cinco primeiros dias da semana, os quais na Língua portuguesa, por iniciativa de Martinho de Braga em obediência à liturgia católica, não seguem nomenclaturas de origens pagãs.

Nas demais línguas européias ocidentais as denominações se referem a divindades Mitologia Greco-Romanas (Latinas) ou Germânicas, enquanto que no português são seqüenciais, como ocorre em línguas eslavas e em algumas asiáticas não indo-européias.

Assim temos, em Português: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira; que correspondem respectivamente a palavras em:

Sobrenomes

Tradicionalmente (hoje uma tradição em extinção), nos países de língua Espanhola o primeiro sobrenome (apellido - esp), aquele que vem logo após o nome da pessoa é aquele da família do pai (no caso o primeiro sobrenome do pai) e o seguinte, o último, é o da família da mãe (também é o primeiro sobre nome da mãe). Na Catalunha usa-se a conjunção y (ou i, em Catalão) entre os dois sobrenomes.

Nos países de língua Portuguesa a ordem é inversa daquela dos de língua espanhola, vindo primeiro o último sobrenome da mãe e depois o último sobrenome do pai.

Nos países de língua espanhola a mulher ao se casar adquire o primeiro sobrenome do marido, mantém seu primeiro, ficando o sobrenome adquirido em último lugar, antecedido pela preposição de.

About the author

Carlos Carrion Torres comes from Vitória-ES in Brazil and can be contacted at: c.carrion.t@gmail.com

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