Língua Estrangeira para Lusófonos

Carlos Carrion Torres

O aprendizado de uma língua estrangeira implica numa série de ações, habilidades, facilidades, dificuldades, que aqui serão sumariamente comentadas numa visão mais focada para os lusófonos, embora muitos aspectos sejam bem mais universais.

O conhecimento de uma língua estrangeira não deve ser confundido com o entendimento parcial da mesma. Por exemplo, os lusófonos entendem quase tudo num texto escrito em Galego ou Catalão, entendem com razoável facilidade um texto em Espanhol. Mesmo textos em Italiano ou em Francês podem, porém em menor escala, ser parcialmente compreendidos. Tudo isso para quem não consegue escrever uma única linha nessas línguas,

Habilidades

Os aspectos que marcam o conhecimento de uma língua estrangeira podem ser classificados e avaliados pelas seguintes habilidades, ordenada por crescente dificuldade:

Compreensão na Leitura

É a mais fácil das habilidades, é estática, sem maiores pressões, pois não há interação imediata com outras pessoas. Há tempo para procurar pelo significado de palavras e expressões desconhecidas. Também é possível compreender razoavelmente um texto de forma geral, mesmo com a presença de algumas lacunas por não conhecer todas as palavras. As palavras desconhecidas podem ter intuídos seus significados em função do contexto. È importante ainda o conhecimento do assunto abordado no texto.

No caso de línguas muito similares, como o caso do Português em relação ao Espanhol e as demais Ibéricas (exceto Basco), a leitura pode ser muito fácil, mesmo para um lusófono que jamais estudou essas línguas.

Expressão Escrita

É a segunda mais fácil das habilidades, ficando mais facilitada ainda à medida que for menor o nível de "responsabilidade" do que for escrito. Há casos inclusive em que é suficiente se fazer entender, sem maiores preocupações com ortografia ou gramática. Essa forma de comunicação é também estática, também isenta a maiores pressões. Não há interação com terceiros, havendo tempo para que se procurem as informações necessárias. Também é importante o conhecimento do assunto abordado no que for escrito.

Compreensão ao ouvir

  • Conversação presencial (direta)
    A atividade exige muita interação e seu sucesso depende muito da boa vontade do ouvinte, da sua dicção, sotaque, velocidade ao falar. As pressões são maiores e exige uma mínima competência na expressão oral, para que se possa interagir, dar a entender a quem fala se tudo foi entendido ou não, demonstrar alguma dúvida, solicitar repetição, sinônimos, etc. A conversa pode ser facilitada por gestos e expressões faciais de ambas as partes. Assim como na compreensão da escrita não é preciso entender cada palavra e sim o sentido geral.
  • Por telefone
    É similar ao caso acima, também depende da boa vontade do interlocutor, bem mais do que no caso de conversa presencial, pois não se pode contar com o auxílio de gestos e expressões faciais. E um excelente modo de testar o nível de domínio de uma língua.
  • Conversação presencial (entre terceiros)
    Por não ser exeqüível nem educado interromper os falantes, lhes solicitar falar mais devagar, usar palavras mais simples, evitar certas expressões idiomáticas, gírias, essa compreensão fica bem mais difícil do que na conversação direta,onde se conta com a colaboração do interlocutor.

    Como não há uma conversação direta cuja intenção é de se fazer entender, o caso de filmes, séries televisivas, programas de televisão com notícias, entrevistas, shows, etc. apresenta maiores dificuldades. Há alguma similaridade com a dificuldade para entender conversação entre terceiros.

Expressão, Falada

Aqui nos referimos à conversação eficaz, não sendo considerada a aparentemente fácil ação de perguntar algo e, na sequência, não ser capaz de entender corretamente a resposta, o que daria a impressão de que "falar é mais fácil do que entender". Aqui temos desde um mínimo "se fazer entender" até uma boa fluência.

  • Pessoalmente
    As eventuais dificuldades nessa atividade podem ser principalmente contornadas com o auxílio de gestos, expressões faciais, repetição de palavras, procura de sinônimos. Pode-se saber imediatamente da reação da pessoa com quem se fala, contando também com a ajuda desse próprio interlocutor. É necessária uma boa dicção, pronúncia, certa fluência, cuidados com o sotaque, inclusive podendo a conversa ser enriquecida com uma adequada entonação.
  • Telefone
    A dificuldade é similar ao caso da compreensão ao ouvir, pois não há conversação sem que haja eficaz participação de ambas as partes.
  • Palestra
    Essa comunicação exige uma grande fluência na língua.

Níveis de conhecimento da língua

  • Reconhecer, identificar a língua
  • Compreender um mínimo e Fazer-se entender
  • Falar e compreender bem
  • Falar fluentemente - aqui é importante salientar a diferença entre fluência e bom conhecimento de uma língua. Exemplo, um completo analfabeto que vive num país lusófono é provavelmente mais fluente na língua (embora não a fale corretamente) do que um estrangeiro que tenha estudado o idioma de forma bem aprofundada, mas não a pratique no dia a dia.
  • Conhecer expressões idiomáticas e/ou gírias
  • Dominar bem a língua

Ações e condições que facilitam e permitem a aquisição do uma nova língua

  • Estudo autodidata
  • Cursos, Aulas
  • Disponibilidade de Filmes, Televisão, Músicas (vantagens para aprender a língua inglesa)
  • Necessidade - falante de língua pouco falada inserido num ambiente dominado por falantes de outra língua. É o caso dos imigrantes na Europa. o caso de pessoas de países pequenos como Holanda, Dinamarca, localizados numa vizinhança de línguas "fortes".
  • Contatos diversos com estrangeiros.
  • Viagens, permanências no exterior, imersão;
  • Conhecimento prévio de outras línguas

Línguas mais fáceis de aprender

Os seguintes fatores facilitam a aquisição de uma nova língua:

  1. Mesma família, similaridades:
  • Vocabulário
  • Gramática (conjugação, regência verbal, declinação, ordem das palavras, aglutinação, conjugação, casos, etc.)
  • Mesmo alfabeto, modo de escrita, diacríticos, etc.
  • Disponibilidade de literatura, jornais, revistas, etc.
  • Disponibilidade de Mídia (nisso o Inglês leva muita vantagem em relação às demais a serem aprendida):
    • Filmes
    • Televisão
    • Música
  • Vizinhança, fronteiras, convívio;
  • Facilidade para falantes Português

    A maior ou menor facilidade para os lusófonos aprenderem outra língua não difere muito daquela dos falantes de inglês, a qual pode ser avaliada nos Sites:

    http://en.wikibooks.org/wiki/Language_Learning_Difficulty_for_English_Speakers
    http://www.antimoon.com/forum/t11492-15.htm
    http://www.suite101.com/blog/madelinep/language_difficulty

    As maiores diferenças entre a sequência das facilidades para falantes de Português e de Inglês está na ordem que ocupam as respectivas línguas mais próximas, Românicas ou Germânicas, sendo a mesma daí em diante.

    Ver a ordem de crescente de dificuldade para lusófonos (esta lista não pretende ser extensa, abrangente, completa, apresentam-se algumas línguas ou grupos de línguas mais conhecidos :

    • Línguas Românicas
      • Espanhol + Ibéricas (similaridade, vizinhança, alguma mídia)
      • Italiano
      • Francês, Ocitano
      • Romeno, outras;
    • Inglês - O inglês é um caso a parte, difícil de ter sua dificuldade ordenada,uma vez que pode parecer mais fácil
    • Demais Línguas Germânicas
      • As mais difíceis são Islandês e Alemão,
    • Malaio, Indonésio, Suaíle
    • Línguas Eslavas + Línguas do Cáucaso, da Ásia Central, o Burmês, Zulu, Xhosa,
      • As Eslavas com Cirílico apresentam dificuldade inicial por conta do Alfabeto
    • Línguas Indo-européias da Índia e Grego, Hebraico, Persas, Armênio (essas com outras escritas), Turco, Vietnamita,
    • Outras Línguas Indo-européias c/ Alfabeto Latino
      • São mais difíceis as Bálticas, Fino-Ugrianas (exceto húngaro, que é mais difícil ainda)
    • Línguas do sudeste asiático (Tai, Burmês, Laosiano)
    • Basco, Húngaro, Navajo,
    • Árabe, Coreano, Mongol, Chinesas diversas,
    • Japonês

    Nota: A dificuldade para aprender uma língua com outra escrita é mais significativa apenas no início do aprendizado, desaparecendo depois que o novo alfabeto já está bem conhecido. Cumpre lembrar também que línguas que usam o alfabeto latino com muitos diacríticos diferentes dos usados nas línguas românicas podem apresentar também algumas dificuldades, porém, somente no início do aprendizado.

    As outras escritas que não a latina apresentam a seguinte ordem crescente de dificuldade.

    • Alfabetos completos: Cirílico, Grego, Georgiano, Armênio, etc.
    • Abjads (só têm consoantes): Hebraico, Árabe e as escritas nesse alfabeto (são escritas da direita para esquerda)
    • Abugidas (consoantes c/ uma vogal inerente. Para mudar vogal há sinais gráficos): Línguas da Índia e da Indochina
    • Ideogramas: Línguas Asiáticas do extremo oriente

    About the author

    Carlos Carrion Torres comes from Vitória-ES in Brazil and can be contacted at: c.carrion.t@gmail.com

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